É comum encontrarmos a observação: somos apolíticos. Na complexidade dessa posição entendo que agindo assim deixamos de emitir opinião, analisar questões sérias que envolvem o dia a dia, buscando não só um acompanhamento, mas contribuindo para a resolução.
Temos assistido uma crescente onda de denúncias, impunidade, corrupção, desgaste, um despreparo de muitos que ocupam cargos públicos. Uma insatisfação geral! Alimentando, assim, a idéia de que é melhor ser apolítico do que se manifestar politicamente!
Por sua vez assistimos também um afastamento de instituições que deveriam buscar um aprofundamento de questões ligadas a educação, segurança, transporte, saúde e meio ambiente.
Ao que parece, o que acontece é uma confusão em relação aos termos 'apolítico' e 'apartidário'.
Debaixo dos 'panos' existe o apoio político, participam de reuniões, definem-se candidatos para os mais diferentes cargos, trabalham para colocar seus representantes em várias frente mas, na linha da visibilidade, preferem dizer: somos apolíticos!
Sabemos que quando a questão envolve um partido político, envolve também interesses, que muitas vezes não representam a vontade pessoal de quem é filiado ao partido.
A decisão vem de cima, em algumas vezes causando situações embaraçosas onde quem sempre andou do lado de lá, por decisão do partido deve andar junto. Presenciamos então o agrupamento de água e óleo, juntos por força da ocasião, mas será impossível obter uma mistura homogênea que agrade.
Aí, temos a impressão de estarmos diante dos mesmos tem como causa a falta de motivação para iniciar a mudança e também a identificação com o trabalho que possa ser desenvolvido.
Não é saudável permanecer onde não existe a comunhão, a liberdade, a confiança e a transparência. Até os mais bem intencionados correm o risco de achar que estão fazendo algo, quando na verdade estão alimentando o mesmo esquema de privilégios.
Para alguns política é uma ilusão. Algo que deve ser combatido, principalmente por que envolve interesses econômicos, alimenta procedimentos que fogem aos resultados favoráveis a pessoa.
Alguns chegam a afirmar: se entrar político eu não fico!
Mas, por que será que mesmo assim, sendo tão desprezados, combatidos, repelidos encontraremos nas próximas eleições 3.062 empresários, comerciantes, industriais e pecuaristas que são candidatos em todos os cargos?
O número representa um aumento de quase 20% em relação às eleições de 2006. "Nesta legislatura que caminha para seu desfecho, os empresários elegeram para a Câmara 219 representantes, e 27 para o Senado. Em contrapartida a bancada sindical reduziu seu peso numérico de 70 para 60 representantes(agencia DIAP )."
Ou seja alguém eleito através do voto, da sua escolha, contribuirá ou não para aprovação de propostas que favoreçam ou não o segmento a qual pertence. Sabendo desde já que embora exista a divulgação do termo apolítico a intenção de eleger o representante do segmento é política.
Vivenciaremos mais uma eleição abastecida pelo poder econômico, longe do que é democrático. Cabe então as instituições, associações, clubes de serviços e afins abrir suas portas para discussões e conhecimento de cada candidato. No universo de 3062 alguém poderá ser seu representante, escolha então com calma, evitando assim mais uma decepção ou ilusão! |