Pipoca, balões e um típico locutor de comércio popular. Tal estratégia, que não tem nada de nova, foi utilizada para chamar a atenção para o lançamento de um produto, este sim inédito pa ra quem frequenta o Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
A oferta não era de apresentação de circo ou saldão de eletrodomésticos. Era de passagem aérea com prazo de pagamento em até 36 vezes. Ao escolher o Largo 13 para abrir sua primeira loja física, o patrocinense Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, mostrou que realmente chegou para redesenhar o mercado de aviação regular brasileiro.
A ideia de loja de companhia aérea em região badalada e sofisticada foi deixada de lado pela Gol. A tática de divulgação típica de produtos populares adotada pela companhia aérea para anunciar a sua primeira loja física teve como alvo a chamada nova classe média.
Na região, onde passam diariamente 1 milhão de pessoas, os atendentes informam e disponibilizam para os ''navegantes de primeira viagem'' uma cartilha explicativa com os principais termos da aviação, além de um passo a passo de todos os procedimentos que a viagem aérea tem, desde a arrumação da mala até o desembarque.
Além de ampliar presença no mercado corporativo, a Gol trabalha com todas as forças para buscar clientes entre as classes C e D. E a versatilidade da companhia aérea não está só entre os passageiros, mas também na rotina de 12 horas diárias de trabalho do presidente.
A entrevista aconteceu na sede administrativa da empresa, ao lado do aeroporto de Congonhas, sede da antiga Varig, em São Paulo, ocorreu entre dois compromissos: pela manhã, Constantino Júnior foi pessoalmente ao aeroporto saudar os funcionários pelo Dia do Comissário. No final da tarde, saiu às pressas para encontro com executivos suíços.
Com 41 anos, Constantino Júnior está hoje à frente da companhia que tirou o sossego da TAM na liderança do mercado de transporte de passageiro doméstico no Brasil. Em menos de dez anos, a Gol conseguiu mais de 40% do mercado. Mas o presidente é enfático ao dizer que a aposta da companhia aérea não está focada no primeiro lugar do ranking.
"Costumo dizer que market share (divisão de mercado) pode ser o tabilidade, em satisfação dos clientes e dos funcionários. O market share é consequência. Muitas vezes vemos empresas abaixando o preço e fazendo movimentos irracionais para preservar ou ganhar colocação no mercado." O executivo avalia que no longo prazo essa estratégia pode significar enfraquecimento da companhia aérea e dificuldade de fazer novos investimentos.
A Gol decolou do zero e a administração inovadora ajudou a companhia a alcançar voos velozes. Desde o início, a empresa optou por trabalhar para um passageiro sensível a preço e não para aquele que visa ao glamour. Ousou em deixar de lado a refeição quente a bordo e introduzir a barrinha de cereal. Apostou ainda na compra de passagem pela internet, com cartão de crédito.
A ousadia e o risco deram certo. E, ao falar da decolagem da Gol, Constantino lembra de seu pai, Constantino de Oliveira, o famoso ''Seu'' Nenê, fundador do grupo Áurea, de transporte rodoviário, que leva o nome de sua mulher. ''A ideia de montar a empresa foi muito estimulada pelo meu pai. Ele via uma oportunidade de criar uma companhia aérea diferente das que já existiam na época e mais voltada à eficiência e ao custo baixo. O resultado disso tudo estaria nas tarifas'', diz.
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